Principais complicações do uso de lentes de contato
1. Conjuntivites: As conjuntivites que ocorrem em usuários de lentes de contato podem ser de origem alérgica, infecciosa, tóxica e/ou traumática. Costumam causar lacrimejamento, sensação de corpo estranho, vermelhidão ocular, edema de pálpebras e estão frequentemente associadas a comprometimento da córnea ou ceratite. O tratamento deve ser imediatamente instituído pelo médico responsável pela sua adaptação, sendo a base de colírios específicos, de acordo com o tipo da conjuntivite e requer a suspensão do uso das lentes durante o tratamento. Após a cura, faz-se necessário em geral a troca das lentes, do estojo e também das soluções de assepsia, para evitar que continue o contato com a possível fonte de contaminação. As conjuntivites alérgicas são talvez as mais freqüentes nos usuários de lentes gelatinosas. Costumam ocorrer em algum grau em até 30% dos pacientes que usam as lentes hidrofílicas. O tratamento vai depender do grau de severidade da conjuntivite e consiste no uso de colírios antialérgicos, eventualmente cortisônicos, orientados pelo seu oftalmologista. Após o tratamento, recomenda-se a suspensão ou a troca das lentes de contato (lente nova ou de outro material), a diminuição do tempo de uso, a mudança ou reforço do uso de removedores protéicos, dentre outras medidas mais.
2. Ceratites em geral: Sejam por uso excessivo, por higiene inadequada das lentes, pela não substituição das lentes no momento correto, por lentes mal adaptadas (muito justas ou muito frouxas), por mau manuseio, dentre vários outros fatores. As ceratites costumam causar intenso desconforto, principalmente a sensação de corpo estranho, o aumento da sensibilidade à luz, bem como a redução da visão. O tratamento deve ser imediato e consiste em suspender o uso das lentes e instilar colírios, recomendados de acordo com o quadro, e com o agente causador da alteração.
3. Edema corneano: É em geral provocado por situações que levem a baixa oxigenação da córnea, tais como lentes muito justas, uso excessivo das lentes (sem serem feitas de material para uso contínuo), piscar incorreto, dentre outras causas. A causa deve ser corrigida de imediato para evitar comprometimento da visão. Os principais sintomas quando há edema são a visão turva e a observação de halos coloridos ao redor das luzes.
4. Úlcera de córnea infecciosa: As úlceras de córnea constituem a primeira ou segunda causa de urgência com lentes de contato e são as complicações mais temidas pelos profissionais da área e pelos usuários. As lesões costumam ser de difícil controle por estarem associadas a alterações da córnea, pela agressividade dos microrganismos envolvidos e muitas vezes pela demora do paciente em chegar ao oftalmologista. Costumam acometer um olho só, ocorrendo com mais freqüência em usuários de lentes hidrofílicas de uso contínuo e resultam do rompimento da barreira epitelial (por trauma ou por baixa oxigenação) seguido de invasão da parte mais profunda da córnea por microrganismos patogênicos. Importantes fontes de contaminação são: material de assepsia contaminado e falta de cuidados higiênicos com o estojo, ou mesmo com as lentes.
Os principais sintomas em geral são: dor, vermelhidâo ocular, aumento da sensibilidade à luz. É importante ressaltar que algumas úlceras apesar de graves causam poucos sintomas, daí a importância do acompanhamento médico freqüente, para os usuários de lentes de contato.
O tratamento médico deve ser de imediato, tão logo feito o exame laboratorial do material da úlcera.
5. Ceratite por Acanthamoeba: Trata-se de uma doença grave provocada por uma ameba encontrada principalmente em água de torneira e em piscinas. Em 85% dos casos está associada com o uso de lentes de contato, principalmente das gelatinosas, podendo mais raramente ocorrer em usuários de lentes fluorcarbonadas. Acomete em geral um dos olhos, sendo as principais fontes de contaminação a desinfecção irregular, o uso de lentes de contato em piscinas, o contato das lentes com a água de torneira, ou com água destilada. Trata-se de um quadro muito grave, com tratamento prolongado, e que apesar dos esforços, frequentemente requer transplante de córnea para recuperação.
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