Monica Freitas

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Avanços no tratamento do Ceratocone

Ceratocone é uma doença corneana de origem multifatorial, ou seja; que está associada a fatores genéticos e ambientais – como por exemplo- ao hábito de coçar os olhos. A origem ainda não está totalmente esclarecida.
A alteração da Córnea (camada mais externa do olho) corresponde a um afinamento, associado a um aumento da curvatura da córnea, causando aumento da miopia e principalmente do astigmatismo. O ceratocone costuma surgir na adolescência, e progredir em ritmo mais ou menos acelerado, até por volta dos trinta anos, principalmente nas pessoas que tem o hábito de coçar os olhos.
Existe uma forte associação da progressão do ceratocone com o hábito de coçar os olhos. Além disso, existe uma associação do início precoce da doença com uma maior evolução, com um pior prognóstico visual.

Como você pode suspeitar de que tem Ceratocone

• Se você tem algum irmão ou primo com diagnóstico de Ceratocone.
• Se você tem necessidade constante de troca dos óculos, porque percebe piora da visão após pouco tempo da nova consulta.
• Se você tem abaixo de 25 anos e seu oftalmologista percebe aumento frequente do seu grau de astigmatismo.
• Se você não atinge a visão perfeita durante o seu exame oftalmológico, e tem astigmatismo elevado.
• Se você é um coçador crônico e incontrolável dos olhos.
• Pela associação de um ou mais fatores acima.

Como seu oftalmologista faz o diagnóstico do ceratocone

• Através do exame clínico, observa presença de astigmatismo irregular (aquele que não deixa a visão perfeita com óculos)
• Presença de alterações no tecido corneano, vistas no biomicroscópio do consultório, principalmente nos casos de ceratocone mais avançados.
• Através dos exames de tomografia Pentacan, ou mesmo topografia de córnea.
• Em casos de ceratocones muito iniciais, a forma mais fácil de identificação é através da Tomografia de Córnea, Pentacan.
• Alguns outros exames mostram alterações típicas da patologia Ceratocone, como a Medida das aberrações de córnea (Aberrometria); Medida da rigidez da córnea através do ORA, dentre outros mais.
• Em alguns casos, a Tomografia de Coerência Óptica registra com precisão as alterações anatômicas do ceratocone (OCT).
• Portanto, apenas o especialista em ceratocone poderá definir os exames necessários para o diagnóstico, classificação, estadiamento e melhor forma de acompanhar e tratar cada caso.

Tratamento do Ceratocone

• Tratamento Clínico Etapa 1- em geral, para os casos de ceratocones iniciais. Corresponde à prescrição de óculos, orientação quanto à importância de não coçar os olhos, prescrição de colírios antialérgicos e lubrificantes.
• Tratamento clínico Etapa 2- Nesta etapa, em geral, os óculos já não atendem à necessidade visual do paciente. Como opção, temos a adaptação de lentes rígidas, porque apenas elas serão capazes de melhorar a qualidade da visão, quando existe astigmatismo irregular, que é típico do ceratocone.
• Tratamento Cirúrgico 1: Crosslinking Corneano- em geral, indicado para pacientes jovens (em qualquer idade inferior aos 25 a 28 anos) e que apresentam progressão do ceratocone comprovada pela tomografia. Neste caso, o objetivo, é promover o endurecimento da córnea e dessa forma, impedir, ou pelo menos dificultar a progressão da doença. Muitos trabalhos científicos publicados mostram estabilização do ceratocone após Crosslinking, em quase 100% dos casos, embora em córneas muito alteradas possa ocorrem alguma evolução, que certamente seria bem maior sem o crosslinking. Atenção: O crosslinking corneano não irá melhorar a visão, nem reduzir o grau do paciente. A cirurgia visa impedir a progressão, para evitar o Transplante Corneano no futuro. Muito útil para portadores de ceratocone abaixo dos 20 anos. “Observo na clínica, que existe uma certa confusão quanto à indicação e papel do Crosslinking. É uma técnica extremamente eficaz, principalmente para adolescentes portadores de ceratocone e adultos jovens, mas não tem como objetivo a redução do grau, nem tampouco a melhora da capacidade visual. O crosslinking, quando realizado precocemente, pode ser o seu passaporte para a estabilização do ceratocone, evitando que você necessite de transplante de córnea no futuro. Existe ainda outro ponto que não está muito claro, quanto ao crosslinking ser uma técnica experimental. O crosslinking é uma técnica 100% aprovada, tanto pela comunidade científica mundial, como pelo Conselho Federal de Medicina. O crosslinking é realizado pelos idealizadores do método desde 1988 e foi aprovado pelo Conselho Federal de Medicina e demais órgãos normatizadores no Brasil em 2008. É uma técnica muito segura, e extremamente eficaz, mas não, sem riscos. Não há cirurgia sem riscos. Quando bem indicada e realizada com os devidos cuidados, é extremamente eficaz para impedir a evolução do ceratocone.
• Tratamento Cirúrgico 2- Implante de Anel Intracorneano- para casos de visão insatisfatória com óculos, nos portadores de ceratocone que não conseguem utilizar as lentes rígidas. Nestes casos, o Anel irá reduzir a deformidade corneana, diminuindo o astigmatismo irregular e também a miopia, melhorando consideravelmente a visão, na grande maioria dos casos. Em poucos casos, o anel traz um benefício visual pequeno, sendo feita uma reavaliação para analisar se haverá uma melhor resposta com a troca dos segmentos por outros mais potentes. Além disso, os anéis são implantados fora da área central da córnea (a área de melhor visão), e podem ser facilmente removidos. Após cerca de sessenta dias, se o paciente tem abaixo de 25 anos costumamos realizar o Crosslinking Corneano, buscando manter a córnea com esta nova forma. Insisto: “o crosslinking não irá reduzir o grau, nem melhorar a visão. O objetivo é buscar o endurecimento da córnea e estabilização do ceratocone (como se congelássemos o ceratocone naquele estágio que se encontra, no momento da cirurgia de crosslinking)”.
• Tratamento Cirúrgico Etapa 3: Transplante corneano – Adequado para portadores de ceratocone avançado, que tem afinamento e encurvamento corneanos excessivos, impedindo o implante de anéis com sucesso. Nestes casos, costuma haver lesões opacas na córnea que também são contraindicação para os implantes. Atualmente, o transplante corneano pode ser feito a laser, com o uso de Laser de Femtosegundo, aumentando a precisão e a velocidade de recuperação. Além disso, houve avanço considerável na técnica cirúrgica, permitindo inclusive a preservação da parte sadia da sua córnea, em muitos casos (Transplante Lamelar). Ainda assim, é necessária a inscrição do candidato à cirurgia num banco de córnea da sua região.

Dica Importante: Se você suspeita de que é portador de ceratocone, ou conhece alguém que possa ter esta doença, procure uma avaliação oftalmológica e o tratamento precocemente. A precocidade, é o melhor tratamento e também, o mais eficaz. Vale lembrar que em torno de 70% dos casos de transplante de córnea no Brasil são decorrentes de ceratocones avançados, com diagnóstico tardio. 

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